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Resumo

O novo circuito de Madri, conhecido como Madring, tem 5,47 km e 22 curvas e foi construído no entorno do centro de exposições IFEMA, combinando trechos dentro do complexo com vias da região de Valdebebas. A Fórmula 1 assinou contrato para realizar o GP da Espanha em Madri de 2026 a 2035.

A estreia, porém, acontece sob pressão de moradores dos bairros próximos ao traçado. A plataforma Stop F1 Madrid, formada por associações e residentes da região, sustenta que o projeto prejudica a qualidade de vida local principalmente por causa do ruído, das obras, da mobilidade e dos impactos ambientais.

O barulho se tornou a principal preocupação depois dos primeiros testes realizados no circuito. Em agosto, sessões com carros de F3 foram utilizadas para verificar o traçado antes da homologação, mas também serviram para que moradores medissem o impacto acústico. Segundo dados divulgados pela plataforma, um dos testes registrou média de 102,7 dBA e pico de 107,7 dBA, com outra medição chegando a 109,1 dBA.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO entrou em contato com Antonio Ibáñez, um dos líderes do Stop F1 Madrid, para entender mais sobre os objetivos do movimento e os planos para este fim de semana. O representante deixou claro que o grupo não tem nada contra o GP da Espanha em si, mas, sim, com a maneira como o circuito foi montado e com os impactos sobre a população.

Ao ser questionado pelo GRANDE PRÊMIO sobre quais seriam, então, as principais preocupações, Ibáñez respondeu que, além dos impactos sonoro e ambiental, “cada vez ganha mais força a ideia de um novo grande fracasso econômico dos cofres públicos”.

A avaliação contrasta com um estudo da consultoria PwC que estimou impacto econômico de € 467 milhões para o GP da Espanha, além de mais de 8.800 empregos gerados. O mesmo levantamento apontou ainda € 83 milhões em arrecadação fiscal e contribuições sociais.

“Os níveis de ruído serão registrados por uma empresa credenciada, que realizará medições homologadas para serem encaminhadas ao Ministério Público”, continuou o representante do movimento, referindo-se às ações que serão tomadas ao longo dos três dias da F1 em Madri. “A gravidade da contaminação será avaliada pelo Ministério Público com base nos relatórios técnicos que lhe forneceremos”, seguiu.

Ao ser lembrado de que o GP da Espanha fechou um contrato de dez anos com a categoria, o que implica corridas no local até, pelo menos, 2035, Ibáñez falou sobre a possibilidade de impedir que isso aconteça. O membro do Stop F1 Madrid citou até mesmo Valência, que sediou o GP da Europa entre 2008 e 2012 e saiu do calendário por uma combinação de problemas financeiros e falta de sustentabilidade do projeto.

Moradores reclamam de impacto sonoro e ambiental do circuito em Madri (Foto: Ferrari)

“Vários fatores podem interromper a corrida: as ações no contencioso administrativo (que podem levar anos, mas menos que os dez anos previstos para a corrida); as ações penais do Ministério Público, que avançam mais rapidamente; ou um desastre econômico, como aconteceu em Valência”, pontuou.

Stefano Domenicali, CEO da F1, recentemente negou que exista a possibilidade de o destino da etapa em Madri ser o mesmo de Valência, visto que os dois projetos têm características e modelos diferentes.

Por fim, Ibáñez voltou a falar do aspecto econômico e definiu o que o movimento deseja.

“Até onde sabemos, esse tipo de evento não gera impactos econômicos sustentáveis para as economias e sociedades das cidades. Queremos que o evento seja suspenso e que os responsáveis sejam punidos”, declarou.

“Vivemos em um mundo em que as grandes cidades deveriam concentrar seus esforços em outras questões: a emergência climática, a habitação, a desigualdade social. É nisso que muitas das grandes capitais da Europa e da América estão focadas, mas não Madri”, encerrou.

O GRANDE PRÊMIO também entrou em contato com os organizadores, questionando se estavam cientes das reclamações e qual postura pretendem adotar para lidar com o caso. Pablo Santos, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da IFEMA, compartilhou o comunicado enviado aos moradores, no qual o Madring se compromete a adotar medidas para mitigar as questões apontadas.

Organizadores se comprometeram a mitigar problemas (Foto: Reprodução/Madring)

“Lamentamos os transtornos que essas atividades possam causar aos moradores da região e compreendemos as preocupações manifestadas em relação ao barulho, à mobilidade e à qualidade de vida na área”, começou.

“Gostaríamos de informar que estamos adotando, e continuaremos adotando, todas as medidas que estão ao nosso alcance para minimizar os transtornos decorrentes das obras e da realização do evento. O bem-estar dos moradores e a redução dos impactos sobre o entorno são prioridades para a organização. Por isso, trabalhamos continuamente com as autoridades competentes e os diferentes agentes envolvidos para implementar medidas de mitigação e melhorias”, continuou.

“Além disso, todas as observações e reclamações recebidas são analisadas e levadas em consideração nos processos de planejamento e acompanhamento do projeto, com o objetivo de identificar oportunidades de melhoria e adotar as medidas que forem viáveis. Agradecemos a comunicação e a colaboração dos moradores durante o desenvolvimento deste projeto”, encerrou.

A F1 retorna neste fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar o que aconteceu após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP da Espanha de F1: veja os horários no Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde

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*Horários de Brasília.

FAQ

Por que moradores são contra a F1 em Madri?

O movimento Stop F1 Madrid contesta principalmente o impacto sonoro do Madring, mas também aponta preocupações relacionadas às obras, à mobilidade e aos impactos ambientais e econômicos provocados pela realização do GP da Espanha na região.

A F1 em Madri pode ser suspensa?

O Stop F1 Madrid defende a suspensão da etapa e afirma que pretende utilizar medidas administrativas e judiciais para contestar o projeto. O contrato entre a F1 e Madri, porém, prevê a realização do GP da Espanha até 2035, e não há atualmente uma decisão que determine a suspensão da corrida.

Quanto a F1 pode gerar para Madri?

Um estudo da PwC estima que o GP da Espanha em Madri terá impacto econômico de € 467 milhões, além de mais de 8.800 empregos e € 83 milhões em arrecadação fiscal e contribuições sociais. Os números são estimativas relacionadas ao impacto do evento.