Max Verstappen bem que tentou adicionar uma pimenta, mas o caldo que prometia apenas ingredientes da McLaren na disputa pela vitória encorpou neste domingo (31), no GP dos Países Baixos. O tetracampeão tentou surpreender e esperar pela chuva com um bote na largada, mas a água nunca veio e a normalidade trouxe os dois carros laranja à frente mais uma vez. Ou quase, já que Lando Norris quebrou enquanto comboiava Oscar Piastri rumo à vitória. Golpe duríssimo na briga pelo título mundial.
Enquanto o inglês ficava visivelmente desolado com a derrota, Isack Hadjar teve destino diferente. O francês brilhou, conquistou o primeiro pódio da carreira na Fórmula 1 e se tornou o francês mais jovem a registrar o feito. Questão de tempo até ir para a Red Bull? Difícil de dizer se é boa notícia. E quem entende melhor de más notícias após Zandvoort do que a Ferrari? Abandono duplo e mais uma etapa para esquecer, em uma temporada insossa e de absoluta opacidade da equipe mais vencedora do grid.
A quarta posição foi de George Russell, que superou entrevero com Leclerc e ficou à frente de Alexander Albon. Ollie Bearman executou grande corrida e contou com a sorte para sair de 20º a sexto, com um posto de vantagem para Lance Stroll. Fernando Alonso completou com o outro carro da Aston Martin a seguir, com Yuki Tsunoda em nono e Esteban Ocon fechando o grupo dos dez primeiros nos Países Baixos.
Gabriel Bortoleto sofreu demais após largada ruim e fez corrida de recuperação, afetada também por uma quebra na asa dianteira. No fim, arriscou ficar na pista com pneus desgastados, enquanto ocupava a décima colocação, mas foi ultrapassado e finalizou em 15º.

Quebra nos Países Baixos pode ser ‘Malásia-2016’ para Norris
A temporada 2025 da Fórmula 1 ainda tem nove rodadas pela frente, é verdade. Muita coisa pode acontecer daqui até o GP de Abu Dhabi, e o campeonato certamente vai pendular para um lado e outro até o fim. O fato é que, olhando de 2026 para trás, a queda no GP dos Países Baixos pode ser para Lando Norris o que o GP da Malásia de 2016 foi para Lewis Hamilton. Ali, o inglês, então na Mercedes, quebrou e viu Nico Rosberg se colocar em posição extremamente confortável para confirmar o título — o que faria corridas depois. A vantagem de 34 pontos de Oscar Piastri é menor, claro, pois Norris tem mais corridas para se recuperar. Mas o fato é que o campeonato viveu um dia decisivo neste domingo. Pela primeira vez, está nas mãos do australiano gerenciá-lo.
Sem carro, Verstappen não peca pela omissão
Max Verstappen tenta de todos os jeitos. Em desvantagem absoluta contra o poderio da McLaren, o tetracampeão mundial explora cada possibilidade para tentar alguma vantagem sobre Lando Norris ou Oscar Piastri. No GP dos Países Baixos, arriscou uma largada de pneus macios que valeu linda ultrapassagem na curva 1 e a tomada da segunda posição sobre o britânico, ainda que temporária. Na primeira parada, arriscou novamente e foi de médios, enquanto o restante do pelotão optou pelos duros. Por fim, na segunda, macios de novo contra os duros da McLaren. Nada disso foi suficiente para se manter à frente de algum dos carros papaia, mas o neerlandês simplesmente não desiste. É uma dor de cabeça constante, mesmo sem o equipamento para isso. É exemplo de que, quando dominava a categoria, outros também poderiam ter feito um pouco a mais para esboçar uma ameaça.
Ferrari conseguiu piorar fim de semana que já era ruim
Desde os primeiros treinos livres, ainda na sexta-feira, estava claro que a Ferrari passaria por dificuldades no GP dos Países Baixos. Mas nada — absolutamente nada — preparou a equipe para o abandono duplo e a tragédia que se abateu sobre a esquadra em Zandvoort. Lewis Hamilton assinou mais um capítulo em uma temporada inicial para esquecer na Ferrari, com um erro na inclinada curva 3 que o levou diretamente ao muro. Charles Leclerc, por sua vez, até fazia corrida interessante, mas foi abalroado por Andrea Kimi Antonelli e também ficou pelo caminho. Nada de pontos e um novo episódio difícil para a Scuderia em 2025.
Red Bull tem talento bruto em Hadjar. E uma decisão a tomar também
O inacreditável pódio de Isack Hadjar no GP dos Países Baixos, na 15ª corrida do piloto na Fórmula 1 (14, já que bateu na volta de apresentação da primeira), aprofunda uma dúvida que já bate na porta da Red Bull há algum tempo. Se o foco dos taurinos para o futuro estava em Arvid Lindblad, o francês vem mostrando não apenas ser um talento, mas uma realidade na Fórmula 1. Dono de grande primeira temporada, o jovem obviamente surge como potencial companheiro de Max Verstappen na equipe de cima em 2026. Mas é aquilo, trata-se de uma oportunidade realmente interessante ou é algo que fica só no papel? Subir uma nova promessa a um carro problemático; compará-lo a um talento geracional, capaz de quatro títulos mundiais; destruir sua confiança; aumentar a pressão de forma sistemática; rebaixá-lo à equipe B sem chance de retorno. É uma novela repetida pela Red Bull nos últimos anos, e que alterou profundamente a carreira de nomes como Pierre Gasly, por exemplo. Em breve, Hadjar pode ter de tomar uma decisão e tanto. Os últimos companheiros de Verstappen que o digam.
Temporada 2026 é longe demais para Zandvoort
A corrida não foi ruim, é verdade. Mas é sempre a mesma história: sem fatores externos, Zandvoort não entrega. Não fossem os acidentes, pouco ou nada teria acontecido na corrida, já que as trocas de posição praticamente não acontecem na pista. Sejamos honestos, estávamos todos torcendo pela chuva. Não é bom sinal. A pista é divertida, tem características que a tornam única, mas simplesmente não encaixa na Fórmula 1. É uma dificuldade absurda de acompanhar o carro à frente e um cenário muitas vezes modorrento, que precisa de fatores externos para funcionar. Poderia sair em 2025 mesmo, mas ainda terá uma última dança em 2026 — e com corrida sprint, para melhorar tudo.
A Fórmula 1 volta de 5 a 7 de setembro no GP da Itália, em Monza, 16ª etapa da temporada 2025.
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