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Demissão de Horner é cartada final de Red Bull que sabe que não pode viver sem Verstappen
F1

Demissão de Horner é cartada final de Red Bull que sabe que não pode viver sem Verstappen

A saída de Christian Horner é fundamental para que a Red Bull convença que o futuro de Max Verstappen ainda é ali. Mas o time se engana se pensa que só isso vai bastar: o carro precisa ser muito, muito mais competitivo e dar alguma perspectiva para 2026

Gabriel Curty

Publicado em

Christian Horner não é mais o chefe da Red Bull. O anúncio veio nesta quarta-feira (9), poucos dias depois de um GP da Inglaterra bastante ruim para o time. Mas a demissão do britânico vai bem além dos resultados. Quer dizer, também tem muito a ver com eles, mas sempre dentro de um contexto mais amplo.

E o primeiro ponto aqui é Max Verstappen. Não adianta dourar a pílula ou tentar fazer malabarismo para justificar muita coisa: o neerlandês, o pai dele e o staff não queriam mais Horner e isso foi central para que o inglês perdesse o cargo antes mesmo do período de férias da F1.

O caso é que não foi a primeira vez que falou-se no desagrado que Horner estava causando na família Verstappen, mas agora bateu diferente. Isso porque uma saída de Max da Red Bull nunca pareceu tão real, com a Mercedes publicamente admitindo interesse, com o neerlandês dando sinal verde para negociações. O tetracampeão tem contrato, sim, mas sempre houve o receio de acionamento de uma cláusula de performance que poderia ser engatilhada em casos de resultados ruins da esquadra. Aqui voltamos ao tópico desempenho, aliás.

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Christian Horner deixou a Red Bull nesta quarta-feira (Foto: Red Bull Content Pool)

A demissão de Horner, assim, resolve ao menos uma parte da questão com Verstappen, mas não tudo. Longe disso, aliás. Para que o neerlandês resolva ficar, a Red Bull vai precisar mostrar algum tipo de evolução, mas, mais do que isso, dar alguma garantia de que vai competir em 2026 e além, quando o regulamento novo de motores entrar em ação. Mas também não foi só Max que gerou a saída de Christian.

Um dos mais vitoriosos e longevos dirigentes que a F1 já viu, Horner sempre contou com muito prestígio na estrutura interna da Red Bull. O tempo todo teve de dividir responsabilidades e decisões com o consultor Helmut Marko, é verdade, mas nunca tinha passado por um real período de pressão até 2024.

Os mais de 20 anos de Horner foram de altos e baixos, momentos duros no começo e também na virada para a Era Híbrida, mas de glórias e conquistas poucas vezes antes alcançadas. As dinastias com Sebastian Vettel e Verstappen foram das maiores da história e levantaram o inglês para um patamar de elite no grupo de chefes de equipe. E isso explica como o fim da linha demorou mais de 15 meses desde que os problemas se intensificaram de forma irreversível.

Após uma temporada praticamente perfeita em 2023, em que venceu 21 das 22 corridas, a Red Bull enfrentou uma série de problemas em 2024. Embora tenha começado a campanha com resultados positivos, a estrutura do time ficou abalada depois de uma funcionária acusar Horner de comportamento inapropriado. O time dos energéticos realizou uma investigação interna e entendeu que Christian era inocente. Mas as fissuras nunca deixaram de existir.

Christian Horner e Helmut Marko se aturaram bons anos na Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Durante o caso, a Red Bull ficou dividida, com Max e Marko se colocando contra Horner. Em meio à guerra interna, Adrian Newey abandonou o barco para se juntar à Aston Martin, em movimento que tecnicamente fez a coisa desandar. Depois, foi a vez do diretor-esportivo Jonathan Wheatley, conhecido por ser a engrenagem que fazia tudo funcionar, quer dizer, que controlava Marko e Horner, cada um no seu quadrado.

A Red Bull ainda viu Verstappen ser tetracampeão em 2024, mas estava claro que, em performance, McLaren e até Ferrari já tinham superado os taurinos. No fim, taça na galeria, mas um resultado que só enganou, diante de claro declínio do time do ponto de vista técnico, sem Newey, sem Wheatley.

No meio disso tudo, a guerra Horner x Marko se intensificou, com o lado tailandês da Red Bull ao lado do inglês e a parte austríaca com o consultor, mantendo a relação que funcionava antes da morte de Dietrich Mateschitz, fundador da companhia de energéticos e muito próximo de Helmut. Aquilo também foi um desgaste extremamente importante e, no cabo de guerra dos dois poderosos, a corda fatalmente estouraria.

Sergio Pérez foi trocado, Liam Lawson chegou e foi embora, Yuki Tsunoda subiu e está prestes a descer e a pressão só crescia. Os resultados abaixo da crítica em 2025 entraram em ação e, desta vez, acompanhados por ameaças reais de que Verstappen sairia. No fim, a Red Bull passaria por cima de muita coisa para não precisar demitir Horner, mas perder Max nunca foi opção.

Nas cordas, temendo o avanço de Toto Wolff e do exército prateado, a Red Bull rifou Horner, com motivos de sobras nos últimos dois anos, mas com um objetivo claríssimo acima de tudo: segurar o tetracampeão.

No fim, é a cartada final de Oliver Mintzlaff, diretor-executivo da Red Bull, e de toda cúpula, mas pode não ser suficiente. O elefante na sala está fora, Laurent Mekies é uma escolha bastante inteligente, mas é bom que a equipe não se engane: ou cria um projeto realmente interessante para Verstappen, ou só vai sobrar Marko da lendária formação original do time. Talvez nem ele.

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