No dia seguinte ao surgimento da notícia de que a Ferrari estuda a saída do atual chefe de equipe, Mattia Binotto, o principal jornal esportivo da Itália — La Gazzetta dello Sport — cravou que Frédéric Vasseur, atual diretor da gestão esportiva da Alfa Romeo, irá ocupar o cargo na escuderia em 2023.

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No verão europeu deste ano, o presidente da Ferrari, John Elkann, começou a avaliar opções para o lugar de Binotto. Vasseur agradou desde o começo do ‘processo seletivo’; o bom relacionamento com a alta direção do Stellantis — um dos maiores grupos de montadoras do mundo —, construído ao longo dos anos de gestão na Sauber, ajudou o francês a se destacar. Seu currículo no esporte a motor e seu estilo de administração também são pontos de destaque, na visão da escuderia italiana.

Segundo La Gazzetta dello Sport, Binotto paga o preço pela falta de competitividade da Ferrari desde 2019. Por um motivo ou outro, a escuderia italiana sempre perde fôlego ao longo da temporada, desde o momento em que Mattia foi promovido ao posto de chefe de equipe após a saída de Maurizio Arrivabene.

Mattia Binotto pode estar com dias contados na escuderia italiana (Foto: Scuderia Ferrari Press Office)

Há, sim, certo crédito pela volta da Ferrari ao pelotão da frente após dois anos difíceis. Mas os erros de estratégia e sucessivas confusões na chefia da equipe pesam mais na balança.

O escândalo técnico de 2019 da Ferrari também aconteceu na gestão Binotto. Naquela temporada, a unidade de potência da Ferrari parecia imbatível, com velocidade de reta muito superior às demais equipes. A Red Bull foi a primeira a levantar suspeita de ilegalidade no motor italiano, direcionando suas acusações ao fluxo do combustível. A Mercedes, óbvia parte interessada, logo se juntou aos protestos. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo), então, determinou o sistema da escuderia italiana, que pulsava sinais elétricos que interferiam no fluxômetro, como ilegal — sob a justificativa de que a vantagem obtida não estava de acordo com o regulamento técnico.

Nos bastidores, órgão regulador e escuderia italiana firmaram uma espécie de acordo secreto. Mas sem o ‘temperinho’, a pimenta no motor, a Ferrari enfrentou fortes repercussões técnicas em 2020 e 2021. Todo esse cenário também pesa contra Binotto.

Motor da Ferrari em 2019 tinha um certo tempero a mais… (Foto: Ferrari)

Por fim, o descontentamento de Charles Leclerc com o chefe de equipe mostra-se, igualmente, um fator. O relacionamento entre os dois tornou-se conflitante desde o GP da Inglaterra deste ano, quando o piloto de 25 anos deixou de vencer após uma má escolha estratégica do time, que acabou tirando o monegasco até do pódio. À época, Leclerc estava 49 pontos atrás de Max Verstappen na disputa pelo título. Um jantar de esclarecimento aconteceu em Monte Carlo pouco depois, mas não foi suficiente para recuperar a relação.

Na última segunda-feira, a revista francesa AutoHebdo apontou que as recentes ausências de Binotto no paddock representam indicativo de saída. De acordo com a publicação, fontes próximas a Maranello afirmam que o momento não é mais de diálogo, e sim de separação. Mattia está na Ferrari desde 1995, inicialmente na área dos motores. 

A escuderia italiana ocupa o segundo lugar no Mundial de Construtores de 2022, com 19 tentos de vantagem sobre a Mercedes antes da última corrida, em Abu Dhabi. O time venceu quatro vezes — três com Leclerc, e uma com Carlos Sainz.

GRANDE PRÊMIO cobriu o GP de São Paulo de Fórmula 1 ‘in loco’ com Ana Paula Cerveira, André Netto, Evelyn Guimarães, Felipe Leite, Gabriel Curty, João Pedro Nascimento, Luana Marino, Rodrigo Berton, Pedro Henrique Marum e Victor Martins. A F1 encerra a temporada com o GP de Abu Dhabi já entre os dias 18 e 20 de novembro.