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Retrospectiva 2025: Leclerc tem ano decente com Ferrari que se perdeu em projeto da SF-25
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Retrospectiva 2025: Leclerc tem ano decente com Ferrari que se perdeu em projeto da SF-25

A Ferrari perdeu terreno na temporada 2025 da Fórmula 1, mas, ainda assim, Charles Leclerc entregou um trabalho decente que, embora não tenha contado com vitórias, resultou em pódios para a equipe italiana

Bernardo Castro

Publicado em

O desempenho de Charles Leclerc é, certamente, um dos mais difíceis de avaliar na temporada 2025 da Fórmula 1. Analisando friamente os números, passar um ano sem vencer corridas é decepcionante. Porém, a falta de triunfos se deve muito mais à Ferrari, que regrediu em relação a 2024, do que a qualquer falha do piloto. Além disso, quando se compara o desempenho ao de Lewis Hamilton, que ocupou o outro carro da equipe, dá para dizer que o monegasco fez um trabalho decente com a SF-25.

A Ferrari tinha um bom carro na temporada 2024, venceu cinco corridas e se manteve viva na briga pelo Mundial de Construtores até a última etapa. No fim, o título ficou nas mãos da McLaren, mas as expectativas para 2025 eram altas, principalmente devido à chegada de Lewis Hamilton. Contudo, os italianos não deram continuidade ao projeto do ano passado e confirmaram que a SF-25 seria um carro “99% novo”, com mudanças principalmente na suspensão, no entre-eixos e nos sidepods.

O banho de água fria veio logo na primeira corrida do ano, na Austrália. Depois de largar em sétimo, Leclerc regrediu na corrida e terminou apenas em oitavo. É bem verdade que a etapa em Melbourne ficou marcada pelo caos trazido pela chuva, mas isso não foi suficiente para esconder que a SF-25 apresentava problemas.

A Ferrari teve um alento na etapa seguinte, na China, quando Hamilton venceu a corrida sprint. A queda de desempenho, no entanto, ficou evidente na corrida principal e, antes de serem desclassificados por irregularidades técnicas, Leclerc cruzou a linha de chegada em quinto, logo à frente de Hamilton. Estava claro, portanto, que a equipe italiana estava um patamar abaixo do que mostrara em 2024.

Charles Leclerc conquistou um pódio na Arábia Saudita (Foto: AFP)

Nas etapas seguintes, Leclerc conseguiu extrair mais desempenho do carro e, após um quarto lugar no GP do Japão, decidiu seguir o próprio caminho no desenvolvimento da SF-25. O primeiro sinal de reação veio no GP da Arábia Saudita, quando conquistou um pódio com o terceiro lugar. Contudo, o desempenho do carro oscilava muito, e o monegasco terminou apenas em sétimo e sexto nas etapas seguintes, em Miami e Ímola.

Em meio a uma temporada de muita oscilação, Leclerc flertou com a vitória em duas oportunidades. A primeira delas foi em Mônaco, quando perdeu a pole para Lando Norris por apenas 0s109. Durante a corrida, embora tenha permanecido relativamente próximo do rival, não teve ritmo suficiente para superá-lo e precisou se contentar com o segundo lugar.

Na Hungria, a vitória parecia ainda mais palpável. Depois de largar da pole, Leclerc liderou boa parte da corrida, mas perdeu ritmo após a segunda parada nos boxes e nem sequer terminou no pódio. Inicialmente, a queda de rendimento ainda era uma incógnita, e Charles pensou que fosse por causa de uma estratégia equivocada.

Assim, esbravejou contra a equipe pelo rádio, disse que precisava ser ouvido e deu indícios de que não tinha muita autonomia. Mais tarde, foi confirmado que os problemas vieram do aumento da pressão do último set de pneus de Leclerc, além de ajustes na asa dianteira. Ainda assim, a sensação de que ele não tinha tanta liberdade dentro da equipe permaneceu.

O GP da Hungria marcou a última etapa antes das férias da Fórmula 1 e, até então, Leclerc fazia um bom ano, considerando o que a Ferrari havia lhe entregue. Após 14 etapas e inúmeras reclamações sobre o comportamento do carro — tanto por parte de Charles quanto de Hamilton —, o monegasco havia conquistado todos os cinco pódios da equipe. O heptacampeão, por outro lado, sofria para se adaptar e tinha como melhores resultados o quarto lugar nos GPs da Emília-Romanha, Áustria e Inglaterra.

Se a primeira metade da temporada não foi das melhores, a situação piorou na reta final. O desempenho da SF-25 oscilou ainda mais na segunda metade do ano, e Leclerc também começou a reclamar ainda mais da performance. É verdade que o monegasco subiu ao pódio nos Estados Unidos e no México, mas a decepção foi grande, principalmente no Azerbaijão, onde bateu na classificação e depois foi cobrado pela equipe, que admitiu irritação com a falta de performance.

Essa, no entanto, não foi a única cobrança da Ferrari aos pilotos. Após o GP de São Paulo, em que tanto Hamilton quanto Leclerc abandonaram, o presidente, John Elkann, foi duro ao se referir à dupla, afirmando que ambos precisavam “falar menos e pilotar mais”.

A frase de Elkann não caiu nada bem, sobretudo porque, além de o carro ser problemático, existem maneiras mais inteligentes de cobrar os pilotos. É compreensível que se façam exigências a Hamilton, afinal, trata-se de um heptacampeão que desempenhou abaixo do esperado em diversos momentos. Mas, olhando o cenário como um todo, não havia muito mais a se pedir de Leclerc.

Charles Leclerc conquistou sete pódios na F1 2025 (Foto: Ferrari)

É verdade que a Ferrari brigou boa parte da temporada pelo segundo lugar no Mundial de Construtores. Porém, isso não significa que a SF-25 estivesse no mesmo patamar dos carros da Mercedes e da Red Bull. A disputa existiu porque os dois pilotos da equipe italiana eram experientes e terminaram constantemente no top-10. Por outro lado, a Red Bull praticamente só marcou pontos com Max Verstappen, enquanto a Mercedes viu o jovem Andrea Kimi Antonelli sofrer para pontuar, principalmente durante a perna europeia.

E essa briga se estendeu por tanto tempo justamente por causa de Leclerc, que muitas vezes conseguiu extrair muito do carro na classificação, o que ajudou a conquistar pódios e resultados expressivos nas corridas. Não fosse isso, a Ferrari teria terminado o ano sem pódios, resultando em uma das temporadas mais vexatórias da história da equipe.

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