Isack Hadjar foi, sem dúvida, um dos destaques entre os talentosos novatos que chegaram à Fórmula 1 em 2025. Depois de chamar a atenção nas categorias de base, não havia dúvidas de que o francês tinha o necessário para estar na principal categoria do automobilismo. E a confirmação veio ao formar uma dupla quase perfeita com a Racing Bulls, que ofereceu um carro bom o suficiente para beliscar um pódio e brigar por pontos em boa parte da temporada.
Além da boa pilotagem, a passagem de Hadjar pelas categorias de base ficou marcada por comportamentos explosivos e por um psicológico que se abalava com certa facilidade — característica que prejudica muito o desempenho e não tem espaço na F1. No entanto, a primeira prova de que essas falhas haviam ficado no passado surgiu logo no início da temporada.
Depois de rodar na chuva durante a volta de apresentação do GP da Austrália, Hadjar deixou o carro chorando, visivelmente abalado, a ponto de precisar ser consolado pelo pai de Lewis Hamilton. Na época, além de ter sido alvo de críticas do consultor Helmut Marko, uma das dúvidas que pairavam era se o francês teria força mental suficiente para se recuperar.
E, de forma surpreendente, ele respondeu rapidamente. É bem verdade que, na segunda etapa, na China, não marcou pontos. Ainda assim, conquistou um sólido 11º lugar na corrida principal e superou o experiente companheiro Yuki Tsunoda, o que já indicava que, apesar do erro de principiante em Melbourne, havia algo promissor a ser mostrado na F1 — e que a moral começava a ser recuperada.

Os primeiros pontos vieram no GP do Japão, terceira etapa do ano. Correndo pela primeira vez em Suzuka, Hadjar conseguiu tirar proveito do bom rendimento da Racing Bulls para cruzar a linha de chegada em oitavo. O resultado foi ainda mais impressionante se considerar que Liam Lawson, recém-rebaixado da Red Bull, terminou apenas na 17ª posição.
A sequência de Hadjar foi consistente. É verdade que não terminou no top-10 no Bahrein e em Miami, mas marcou pontos na Arábia Saudita, Emília-Romanha, Mônaco e Espanha. O desempenho ganhava ainda mais relevância diante das dificuldades enfrentadas por Lawson para extrair desempenho do carro. Assim, Isack caiu cada vez mais no gosto da Red Bull, enquanto o erro cometido na Austrália começava a ser deixado para trás.
Ainda assim, Hadjar também atravessou um período de seca. Em um intervalo de cinco corridas, entre os GPs do Canadá e da Hungria, o francês não marcou pontos nas corridas principais e somou apenas um tento ao terminar em oitavo na corrida sprint da Bélgica. Paralelamente, Lawson cresceu na disputa interna e obteve bons resultados na Áustria, Bélgica e Hungria.
A volta por cima e o ponto alto da temporada de Hadjar em 2025 aconteceram no GP dos Países Baixos, etapa que marcou o retorno da F1 após as férias de verão. Com bom ritmo ao longo de todo o fim de semana, Isack fez uma ótima classificação e largou da quarta posição. Durante a corrida, não tinha ritmo para acompanhar os carros da McLaren e a Red Bull de Max Verstappen, mas era rápido o suficiente para se manter em quarto, o que já representava um excelente resultado.
No entanto, a quebra de Lando Norris nas voltas finais tornou o cenário ainda melhor para o francês, que herdou o terceiro lugar e subiu ao pódio pela primeira vez na Fórmula 1. Após a etapa em Zandvoort, Hadjar voltou a pontuar em outras quatro oportunidades até o fim da temporada.
Em meio às atuações surpreendentes de Hadjar e às dificuldades enfrentadas por Tsunoda na Red Bull, a promoção passou a ser tratada como mera formalidade. Embora ainda não houvesse um posicionamento oficial, era amplamente esperado que o francês se tornasse companheiro de equipe de Verstappen no time taurino a partir de 2026.
Assim, no início de dezembro, dias antes da etapa derradeira em Abu Dhabi, a Red Bull confirmou as expectativas e anunciou que Hadjar pilotaria pela equipe na temporada de 2026.
“Em relação a Isack, em sua primeira temporada na Fórmula 1, ele mostrou grande maturidade e provou que aprende rápido. Mais importante ainda, demonstrou velocidade pura, que é o requisito número um neste esporte. Acreditamos que Isack terá sucesso ao lado de Max. A temporada de 2026 será um enorme desafio para a equipe e para a Red Bull Ford Powertrains. É um momento empolgante, e estou ansioso para ver o que podemos fazer juntos”, declarou Laurent Mekies, chefe da Red Bull.

Com 51 pontos, um pódio e o 12º lugar no Mundial de Pilotos, Hadjar conseguiu extrair o máximo possível do bom carro da Racing Bulls. No entanto, tão interessante quanto os resultados foi a maturidade demonstrada pelo francês, especialmente ao não se deixar abalar por uma estreia catastrófica na Austrália. Resta saber se ele manterá essa postura ao lado de Verstappen ou se será mais um piloto a sucumbir à intensa pressão da Red Bull.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2026.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2