Jarama prova valor com final eletrizante e cava merecida vaga na era Gen4 da Fórmula E
Iniciada por uma tragédia, a relação entre Jarama e Fórmula E promete se intensificar ainda mais após uma estreia eletrizante dentro das pistas e com apoio absoluto do público fora delas. Com era Gen4 virando a esquina, circuito em Madri se coloca como candidato forte para explorar potencial das novas máquinas
Estreante na Fórmula E durante a etapa do último fim de semana, em Madri, o Circuito de Jarama deixou uma bela primeira impressão na categoria elétrica. E não só pela ação dentro da pista, potencializada por um traçado bem particular em comparação aos outros do calendário, mas também pelo abraço dado pelo povo da capital espanhola, que lotou completamente as dependências do autódromo. Definitivamente, a merecida vaga na era Gen4 foi cavada com sucesso.
A verdade é que Jarama entrou no radar da Fórmula E muito por conta da pré-temporada de 2024. Com as atividades de pista marcadas para Valência, uma tempestade de proporções históricas assolou a cidade, gerou um caos completo no local e naturalmente inviabilizou a realização das atividades. Assim, em cima da hora, o circuito nos arredores de Madri surgiu como possibilidade para receber a categoria, mesmo em meio a uma série de problemas logísticos.
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Afinal de contas, além da necessidade de deixar Valência em meio ao caos, ainda seria preciso montar toda a estrutura necessária para receber o paddock e, principalmente, os carros — que requisitam de várias medidas de segurança em prática para que o evento possa transcorrer sem problemas. O desafio, contudo, foi superado com êxito e gerou uma sensação de gratidão na Fórmula E, que passou a ver a pista como uma aliada.
Pois bem, veio então a temporada 2025/26 e a primeira oportunidade real de ter a pista no calendário. Neste cenário, entra mais um motivo: além da gratidão e do histórico em si, o traçado tradicional de Jarama — o maior do campeonato na Fórmula E — traz boas perspectivas para receber a próxima geração de carros, denominada Gen4, a partir da próxima edição da categoria. No fim das contas, foi, além de um prêmio, um evento teste. E de sucesso.
É normal que pistas mais tradicionais rendam corridas de pelotão na Fórmula E, como Xangai, Misano, Portland e tantas outras. A questão é que, pelas características especiais, Jarama (consideravelmente mais estreita que as outras citadas) impediu que esse pelotão se tornasse caótico demais, justamente pelo pouco espaço para disputas lado a lado. Claro que os pilotos deram um jeito, mas a verdade é que o cenário de ter quatro, às vezes cinco carros disputando a mesma curva seria impossível.

O resultado, no fim, foi uma prova tão movimentada quanto as outras, mas que trouxe uma sensação maior de justiça. Bastante criticadas por vários pilotos, as corridas de pelotão costumam envolver uma dose e tanto de sorte, já que os contatos são frequentes e uma quebra é sempre possível. Em Jarama, essa situação se apresentou de forma bastante diferente e elevou consideravelmente a importância do piloto no rendimento. Com menos espaço, deixou de ser possível ganhar ou perder cinco posições de uma vez, o que tornou a disputa mais equilibrada.
Com isso, o espetáculo visto na pista trouxe emoção do início ao fim. A derrocada de Nick Cassidy após marcar a pole foi acompanhada pelo crescimento de Mitch Evans, enquanto António Félix da Costa, Pascal Wehrlein, Dan Ticktum e outros se embolavam na briga pela vitória. O melhor, entretanto, ficou guardado para as últimas voltas, com uma disputa alucinante entre três pilotos pelo primeiro lugar. A briga durou literalmente até a última curva, quando o alemão deu o bote no britânico para alcançar o pódio.
Por fim, é necessário falar do que aconteceu fora da pista. Completamente lotadas, as arquibancadas da Fórmula E receberam um apelo poucas vezes visto, mesmo em corridas na Europa. Imagens do paddock abarrotado de fãs e de um grid de largada igualmente inundado de pessoas deixaram claro que a categoria não é apenas bem-vinda ao local, mas também que conta com um apoio fundamental do público para permanecer.
Com um traçado extenso e características bem mais tradicionais que os outros palcos da Fórmula E, Jarama deve se encaixar como uma luva na Gen4, que trará os bólidos mais rápidos da história da categoria. Se as conversas pela primeira corrida começaram por uma sensação de gratidão, todos os acontecimentos posteriores só reafirmaram que a pista madrilenha precisa pertencer ao calendário elétrico. A Fórmula E estava em busca de uma nova casa para correr na Espanha — e encontrou. Agora, resta entender como aproveitá-la ainda mais para extrair tudo de carros que prometem fazer história em 2027.
A Fórmula E agora faz pausa de pouco mais de um mês antes da próxima etapa, a rodada dupla do eP de Berlim, entre os dias 1º e 3 de maio. A capital alemã recebe a categoria elétrica no Aeroporto de Tempelhof e marca a metade da temporada 2025/26. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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