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Rowland persevera como verdadeiro campeão e varre Fórmula E com domínio histórico
Fórmula E

Rowland persevera como verdadeiro campeão e varre Fórmula E com domínio histórico

De promessa dos monopostos a criticado por um suposto excesso de peso, Oliver Rowland viveu uma montanha-russa na carreira até chegar ao título mundial da Fórmula E. E a coroação pela Nissan só veio devido à coragem de tomar uma decisão que rendeu muitas críticas — mas, dois anos depois, provou-se perfeita

JP Nascimento

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Com direito a um domínio nunca antes visto na Fórmula E, Oliver Rowland enfim se tornou campeão mundial neste domingo (13). No eP de Berlim, o inglês coroou uma trajetória de altos e baixos, mas com uma perseverança de dar exemplo. Rowland nunca desistiu, mesmo após as dificuldades na Nissan e a péssima decisão de assinar com a Mahindra. Das críticas por largar a equipe indiana no meio da temporada 2022/23, o britânico se tornou a referência e o homem a ser batido no grid.

Grande talento do kart, onde chegou a ter uma equipe por bastante tempo — inclusive revelando pilotos como Taylor Barnard —, Rowland abriu a carreira em monopostos de maneira avassaladora. Campeão da Fórmula Renault Inglesa, terceiro e segundo colocado na Eurocopa Renault e novamente vencedor da Fórmula Renault 3.5, o inglês parecia a caminho de uma trajetória notável.

As coisas começaram a se complicar na escada para a F1 em 2016, quando Rowland já havia até estreado pela Mahindra na Fórmula E. No primeiro ano de GP2, atual F2, não passou de um nono lugar, sem vitórias. Os triunfos ainda viriam, com dois na temporada seguinte, mas o terceiro posto — atrás apenas de Artem Markelov e o campeão Charles Leclerc — de um piloto que já andava na categoria pelo segundo ano não ajudou na busca. O monegasco, por exemplo, era estreante.

Naquela época, Rowland ainda atuava como piloto de desenvolvimento da Renault na F1 — e ainda seria da Williams, em 2018. No entanto, as coisas foram mudando a partir deste ponto, e o inglês passou a vislumbrar a Fórmula E como caminho possível. Após uma série de participações no endurance, inclusive nas 24 Horas de Le Mans de 2018 (quando abandonou), Oliver fez a transição de vez para a categoria elétrica.

Tommaso Volpe, chefe da Nissan, abraça Oliver Rowland (Foto: Fórmula E)

Na Nissan, o caminho novamente parecia promissor. Com pódios na primeira temporada e o quinto lugar na segunda — comandando uma das equipes mais tradicionais do grid, que fora campeã como Renault — deram a ideia de que Rowland voltaria a ser protagonista. Ledo engano.

A passagem coincidiu com uma queda de produção considerável da Nissan, que passou a sofrer com um trem de força pouquíssimo eficiente. O time chegou a experimentar uma unidade de potência dupla, como hoje em dia, com um motor na frente e outro atrás. A Fórmula E, todavia, baniu a possibilidade e condenou o time japonês a anos como coadjuvante. Oliver sofreu e foi apenas 14º no campeonato.

A mudança para a Mahindra, na temporada 2021/22, surgiu como uma correção de rota. O time indiano passou a ser um fornecedor de trens de força na Gen3, o inglês acreditou no crescimento e embarcou no projeto junto ao brasileiro Lucas Di Grassi. Os resultados? Mais um 14º lugar na primeira temporada e um desempenho pífio na segunda, o que tirou Oliver do sério de vez.

Sem condições de competir, Rowland entendeu que andar constantemente no fundo do grid reduziria suas chances de voltar a um time competitivo. Assim, largou a Mahindra após o eP de Mônaco, com nove corridas realizadas na temporada, e se ausentou do esporte até o ano seguinte — em que tudo, enfim, começaria a mudar.

Oliver Rowland confirmou o título com o quarto lugar na corrida 2 em Berlim (Foto: Reprodução/Fórmula E)

De volta à Nissan para a temporada 2023/24, Rowland encontrou um time bem diferente, que conseguiu crescer para a Gen3 e produzir um carro capaz de vencer duas corridas. Muito consistente e dono de uma das melhores leituras de corrida do grid, Oliver é capaz de extrair o máximo em termos de eficiência, o que muitas vezes explica certas decisões ‘diferentes’ que o inglês toma na pista. Tudo calculado, é claro.

O quarto lugar do ano passado, chegando a Londres com chances matemáticas de título, trouxe um Rowland diferente. Aqui, vale destacar que o inglês precisou passar por um importante processo de perda de peso, algo que dificultou a trajetória em alguns momentos, levantou algumas sobrancelhas e certamente teve sua parcela de impacto na pirâmide da F1. No talento, o fato é que o inglês é um dos mais rápidos do mundo.

Por fim, chegou a Fórmula E 2024/25, a primeira do Gen3 Evo. A Nissan acertou o carro de vez, fez as mudanças necessárias após o período de homologação e enfim construiu um carro que o britânico dominou. A campanha representa a maior varrida da história da Fórmula E, que não tinha um título decidido antes da última prova desde 2019/20 — quando António Félix da Costa levou um campeonato muito afetado pela pandemia.

Talentoso, rápido e inteligente, Rowland precisou vasculhar cada possibilidade, olhar embaixo de cada pedra e tomar as decisões certas na própria carreira para alcançar o sonho de ser campeão mundial — que chega aos 32 anos. A saída da Mahindra se provou um absoluto acerto, apesar das críticas na época, e mostra que nem sempre seguir no grid a qualquer custo é o melhor.

O que levou o inglês ao título foi a perseverança, a capacidade de nunca desistir e a coragem de tomar decisões ousadas, que nem todos apostariam. No fim das contas, o título mais incontestável em toda a história da Fórmula E é dele. E o que fica é uma lição e tanto: a insistência, aliada ao trabalho duro e à vontade de vencer, definitivamente pode levar ao topo.

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eP DE BERLIM | FÓRMULA E 2024/2025 AO VIVO E COM IMAGENS | CORRIDA 2 | 14ª ETAPA