Um lance marcou o GP do Canadá mais que qualquer outro e não adiantar se esquivar dele ou da realidade. O abandono de George Russell, então líder da prova, e a cena do caminho se abrindo para Andrea Kimi Antonelli, a raiva demonstrada pelo arremesso do encosto de cabeça e o adeus de um fim de semana que tanto esperou, marcaram a quinta etapa da Fórmula 1 2026. Antonelli venceu a quarta seguida, mas não sem um golpe de sorte que o abençoou tanto quanto os campeões a seu lado no pódio.

Antonelli perseverou como um verdadeiro líder de campeonato quando as coisas não caminhavam tanto a seu favor quanto em etapas passadas e, por isso, tem de ser parabenizado. Mas foi Russell quem andou melhor no fim de semana. Levou a melhor nas duas classificações, venceu a sprint e, mesmo em meio à briga na corrida, era quem estava na frente quando o motor parou. Kimi continuou, venceu sem ser incomodado e ganhou apupos aos montes, sobretudo de Lewis Hamilton e Max Verstappen.

ANTONELLI VENCE, RUSSELL ABANDONA: CLIMA ESQUENTA NO CANADÁ [Briefing + narração]

A Russell restou amargar a situação, justamente no Canadá onde anda sempre tão bem. Era notório que Montreal estava marcado no calendário de George como a sede do início da recuperação, mas as coisas desandaram de uma vez só quando o carro parou e a classificação do campeonato passou a separar os dois por 43 pontos. Montanha difícil de escalar, mesmo que apenas cinco das 22 — que ainda podem ser 23 ou até 24 — provas tenham sido realizadas. Há quem aponte para alguma demonstração de fraqueza na irritação de Russell, mas, ao menos por este autor, o que se viu na saída do carro foi reação natural de um momento que tem potencial para destruir um ano inteiro de trabalho.

Se a briga entre os pilotos da Mercedes causou deleite por 26 voltas quase initerruptamente, o restante da prova teve o duelo entre Hamilton e Verstappen pelo segundo lugar. Com a categoria tão famosa, os dois brigaram com o que tinham e, no fim, Hamilton fez valer a força da Ferrari para ultrapassar Max e levar a melhor.

Gabriel Bortoleto ficou em 13º, colado atrás do companheiro de equipe Nico Hülkenberg. Apesar da Audi até mostrar capacidade de luta no Canadá, a estratégia escolhida foi a pá de cal nas esperanças de pontos dos dois.

A Fórmula 1 retorna entre os dias 5 e 7 de junho, com a realização do GP de Mônaco, sexta etapa da temporada 2026. As notas do Ranking GP são distribuídas por Gabriel Carvalho, João Pedro Nascimento, Luana Marino e Pedro Henrique Marum.

Kimi Antonelli ganhou a quarta corrida em sequência (Foto: Mercedes)

1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.0 – Na história da F1, agora de 76 anos, ninguém conquistou as quatro primeiras vitórias da carreira de maneira serial. Até agora, ao menos. É inegável a temporada assombrosa que faz Antonelli, o que é possível admitir mesmo com os poréns que aparecem pelo caminho. Russell era o mais rápido em Montreal, mas a sorte sorriu com todos os dentes para o líder da F1.

2º) Lewis Hamilton – 8.0 – Aquele Hamilton que se viu na Austrália e sobretudo na China apareceu de novo. Com comando da Ferrari e tirando claramente mais do carro que o companheiro de equipe, o heptacampeão fez o trabalho no domingo para conquistar o segundo lugar e o posto de melhor do resto. Para isso, venceu duelo eletrizante contra Verstappen.

3º) Max Verstappen – 8.0 – Embora continue irritado com o carro e as regras, é evidente que o tetracampeão está mais confortável com as atualizações da Red Bull. Sem Russell ou o incômodo da McLaren nesta etapa, teve de brigar apenas com um dos pilotos da Ferrari, Hamilton. O pódio é muito para quem não conseguia acelerar até outro dia.

4º) Charles Leclerc – 5.5 – Após a corrida, deu a letra: vai olhar tudo que fez Hamilton no fim de semana para tentar entender o que aconteceu e os motivos pelo qual nunca teve o mesmo ritmo. O quarto lugar acaba sendo um prêmio maior que o merecido para uma atuação abaixo da crítica.

Max Verstappen e Lewis Hamilton duelaram e foram juntos ao pódio (Foto: Red Bull Content Pool)

5º) Isack Hadjar – 6.0 – Apesar do melhor resultado do ano, é mais um que ganhou prêmio maior que o merecido. Hadjar caiu de rendimento do sábado para o domingo e andou razoavelmente bem, mas recebeu duas punições. Uma delas por fechar Leclerc em alta velocidade num lance que podia ter causado batida tenebrosa. É preciso se controlar. Lado bom é que a Red Bull vai se descolando do pelotão intermediário.

6º) Franco Colapinto – 8.5 – Mais uma ótima atuação de Colapinto, que dá a entender, pela primeira vez desde que chegou à Alpine, que está no caminho de se encontrar no grid. Assim como em Miami, foi o grande campeão da F1 B.

7º) Liam Lawson – 7.5 – Num dia que podia ser de altos pontos para a Racing Bulls, Lawson foi um raio de sol necessário após os problemas que impediram a largada de Lindblad. Entregou com rendimento que era possível para garantir seis pontinhos valiosos. Só não foi um domingo totalmente limpo por ter se envolvido em enroscos com Sergio Pérez.

8º) Pierre Gasly – 7.5 – De novo atrás do companheiro de equipe, Gasly ao menos tem álibi: os vários problemas que enfrentou ao longo dos três dias. Largou longe, inclusive, e precisou escalar para o oitavo posto.

Franco Colapinto foi o vencedor da F1 B (Foto: Alpine)

9º) Carlos Sainz – 7.5 – Até outro dia, a Williams não tinha carro nem para fazer parte da F1 B e mesmo assim Sainz foi para o terceiro nono lugar em cinco corridas no ano. Mesmo que tenha escolhido a estratégia errada, dos pneus intermediários, responsabilidade que admitiu ter sido sua própria, foi quem melhor conseguiu se recuperar. Vive ano muito positivo.

10º) Oliver Bearman – 6.5 – Foi quem conseguiu capitalizar num dia complicado para a Haas. Dados os muitos problemas de gente que terminou atrás dele, foi importante sobreviver para pontuar. Desde o retorno da F1, porém, a Haas não mostra tanta força quanto antes.

11º) Oscar Piastri – 2.0 – Mais um pego na arapuca dos pneus intermediários na largada, que acabou sendo algo popular visto que apenas alguns minutos antes da largada a chuva caía com certa força no Circuito Gilles Villeneuve. Piastri tentou reverter, mas foi tarde e ainda passou a corrida com drama na aderência e batida em Albon.

12º) Nico Hülkenberg – 5.5 – Outro que caiu no conto dos intermediários. A maior preocupação no caso dos pilotos da Audi nem é a alternativa da largada, em si, porque é um risco que às vezes vale a pena correr. O que mais preocupa é o fato de Sainz ter levado vantagem com a Williams quando tudo foi restabelecido.

Gabriel Bortoleto ficou sem pontos em Montreal (Foto: Audi)

13º) Gabriel Bortoleto – 5.0 – É praticamente a mesma coisa que Hülkenberg. No restante da corrida, só puderem brigar um com outro e Nico levou a melhor desta feita. Mas o amargor de Gabriel fica para a decisão estratégica, sem dúvidas.

14º) Esteban Ocon – 4.0 – Com o poder quanto à permanência do grid em 2027 se esvaindo das mãos, Ocon mais uma vez não foi capaz de acompanhar Bearman. Tentou mudar o ajuste drasticamente para a corrida, mas nada feito.

15º) Lance Stroll – 4.0 – Sobreviveu à corrida, mas nem isso é suficiente para a Aston Martin e a aberração de carro que produziu.

16º) Valtteri Bottas – 2.5 – A Cadillac tem o ritmo exato de uma equipe novata. Bottas parecia um pato morto e passou a corrida inteira como se estivesse em queda livre. Era alvo fácil e não tinha vitalidade sequer para problemas.

George Russell abandonou com problema no carro (Foto: Reprodução/F1)

17º) Sergio Pérez – 3.5 – Novamente ia tirando muito mais que Bottas e chegou até a ultrapassar Ocon. Mas por duas vezes causou enroscos com Lawson que podiam terminar em acidente. O fim veio abruptamente com uma falha na suspensão.

18º) Lando Norris – 7.0 – Mesmo atrapalhado pelos pneus intermediários largou bem e meteu-se entre as Mercedes. Tinha bom ritmo ao longo da corrida para voltar aos pontos, mas teve problemas e abandonou.

19º) George Russell – 8.5 – O melhor piloto do fim de semana. A história de Antonelli é muito legal, pela novidade e pela juventude, mas não podemos perder de vista a realidade nas análises. Evitemos lançar mão de opiniões pré-prontas: o Canadá não mostrou fraqueza alguma de Russell. O que aconteceu foi somente o bom e velho azar de um, sorte do outro.

20º) Fernando Alonso – 4.5 – Mais uma vez, achou o fim de semana melhor que os últimos; mais uma vez, não completou a corrida.

Arvid Lindblad nem largou (Foto: Red Bull Content Pool)

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21º) Alexander Albon – 4.5 – Deu absolutamente tudo errado no fim de semana. Após o atropelamento da marmota na sexta-feira, Albon ainda foi abalroado por Piastri quando brigava por pontos na prova. O australiano até se desculpou.

22º) Arvid Lindblad – 6.5 – Fazia ótima etapa e largava na nona posição. É bem possível que terminasse como o melhor da F1 B, mas o carro ficou parado no grid e não largou.

GP do Canadá – 8.5 – Pescoço a pescoço com Miami na discussão da melhor corrida do ano, mas a briga pela liderança que durou mais de 20 voltas e o duelo entre Verstappen e Hamilton dão o tom. Uma pena o abandono de Russell, porque a disputa pela vitória tinha mais a render. Aparentemente, o ajuste feito pela FIA e pela F1 nas regras deu resultado mesmo.

Largada da F1 no Canadá (Foto: Reprodução/F1)

Melhor GP – GP do Canadá – 8.0
Pior GP – GP do Japão – 5.5
Média: 7.2

MÉDIA DA TEMPORADA:

1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.1
2º) Pierre Gasly – 7.3
3º) George Russell – 7.2
4º) Lando Norris – 7.1
5º) Charles Leclerc – 7.0
6º) Lewis Hamilton – 7.0
7º) Oliver Bearman – 6.9
8º) Max Verstappen – 6.7
9º) Franco Colapinto – 6.6
10º) Carlos Sainz – 6.5
11º) Liam Lawson – 6.2
12º) Gabriel Bortoleto – 6.1
13º) Arvid Lindblad – 6.0
14º) Nico Hülkenberg – 5.8
14º) Fernando Alonso – 5.6
16º) Isack Hadjar – 5.4
17º) Alexander Albon – 5.2
18º) Esteban Ocon – 5.1
19º) Sergio Pérez – 5.0
20º) Lance Stroll – 4.8
21º) Oscar Piastri – 4.7
22º) Valtteri Bottas – 4.4

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