A Red Bull está oficial e novamente em crise. Depois de uma vitória inesperada de Max Verstappen no GP do Japão, o time teve novo choque de realidade em um GP do Bahrein tenebroso. No fim, ainda pontuou com os dois carros, mas viu Verstappen cruzar a linha final apenas em sexto e nada satisfeito com o que teve nas mãos.
“O ritmo foi muito ruim. Não esperava uma corrida como essa, porque basicamente tudo que podia dar errado, deu. Isso provavelmente piorou as coisas, mas acho que a posição em que terminei foi o máximo que podíamos fazer”, declarou o tetracampeão, que ainda arrematou dizendo que não queria nem falar com a equipe depois da corrida.
O ponto é que a crise não tem perspectiva de ser solucionada tão cedo. Quer dizer, se nem vencendo em Suzuka a equipe ganhou gordura para oscilar, significa que a paciência interna também não está em dia. A verdade é que Max já percebeu que não tem chance de competir verdadeiramente com o carro que tem hoje e isso é motivo suficiente para o caos ser instaurado.
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É justo dizer que a Red Bull já esteve em crise em outros momentos, inclusive recentemente, mas a situação atual é diferente. Claro que a situação envolvendo a investigação por conduta inapropriada de Christian Horner era muito mais grave e já deveria ter rendido um bota-abaixo de respeito, mas ainda conseguiu ser contornada porque o carro era competitivo e o time deu um jeito de vencer o campeonato com Max. Quer dizer, Max deu o jeito, mas enfim.
Agora não tem mais carro para a equipe se escorar ou fazer com que Verstappen dê um jeito. Aliás, o carro é justamente o problema central de uma questão nada resolvida: desde a saída de Adrian Newey, a Red Bull não consegue ter atualizações efetivas e, para piorar, o primeiro carro pós-Newey ainda nasceu mal.
Naturalmente, o primeiro nome que entra no caldeirão em meio a um insucesso técnico é o de Pierre Waché. Não tem como ser diferente, já que o experiente engenheiro francês era braço direito de Newey e tomou a dianteira do projeto com a saída do mago da aerodinâmica. Se o carro não vai bem, se não responde aos comandos dos pilotos e, principalmente, se não veste Verstappen da maneira como o neerlandês se sente mais à vontade, é claro que a pressão vai para os ombros de Waché.
Mas Pierre está longe de ser o único culpado e, principalmente, o único no centro das atenções. Há uma pressão em cima de Horner que nunca mais cessou desde a investigação do ano passado e que, a cada insucesso, ganha força. Ainda, cobranças em cima dos mecânicos e até do time de estrategistas pelas gafes especialmente no Bahrein. Mas tem alguém que está ainda mais em foco.

É Helmut Marko, claro. E aqui está um personagem difícil de decifrar, cheio de camadas e de atitudes que colocam para pensar. Quer dizer, Helmut não para de cobrar o time publicamente, perdeu o pouco de filtro que ainda tinha e repetidas vezes diz para o mundo todo que “do jeito que está, vai ser difícil segurar Verstappen“. Mas o que ele ganha verdadeiramente com isso?
“Estamos no segundo lugar no Mundial de Pilotos, a 8 pontos do líder. O recesso de verão ainda está um pouco distante, mas esse é, de fato, o período de tempo [para que haja uma decisão]”, afirmou Marko em entrevista ao portal alemão Formel1.de, duas semanas atrás.
A única hipótese que pode ser descartada no momento é a de que Marko não sabe o que faz e o que diz. Sabe muito bem. A questão aqui é entender exatamente o que se passa por lá. Quer dizer, pode ser uma pressão para cima de Horner de novo? Pode. Uma tentativa de tirar o corpo fora? Também. Ou ainda uma atitude que o transforme oficialmente em ‘consultor de Verstappen’ e não consultor da Red Bull, cargo que ocupa há tanto tempo, quem sabe?
Todas as opções têm seu valor, mas a última é a que parece mais interessante. Depois da corrida do Bahrein, Raymond Vermeulen, empresário de Max, bateu boca feio com Marko, que imediatamente tratou de colocar mais lenha na fogueira com declarações cobrando a equipe e voltando ao tema saída do piloto. Ou seja: o cara que devia servir como elo entre a cúpula do time e os pilotos tem basicamente rompido esse ciclo e sido o elo entre o piloto e a imprensa, os fãs, o mundo. E Helmut já disse publicamente também que cogita seriamente se aposentar caso Max saia da Red Bull.

E, sim, a crise na Red Bull, no fim das contas, pode mesmo levar à saída de Verstappen em um futuro próximo. É até provável que isso aconteça diante do cenário de hoje. Mas levanta, em meio a tudo isso, uma questão fundamental: Marko ficaria chateado?
As próximas corridas são vitais para Max recuperar a confiança perdida no time com o qual conquistou tudo nos últimos anos, mas podem também ser o começo do fim. E a F1 pode se ver de cabeça para baixo em um cenário de um monte de gente que tem contrato e que ficaria sob risco mesmo assim. Enquanto a Red Bull basicamente teria de recomeçar do zero sem o que hoje a diferencia das demais. Porque tecnicamente a coisa começou a cair em 2024 e degringolou em 2025. Sem Verstappen e sem a Honda, o meio do grid pode ser um cruel destino.
A Fórmula 1 volta já neste fim de semana, de 18 a 20 de abril, em Jedá, palco do GP da Arábia Saudita, quinta etapa da temporada 2025.