A temporada 2025 da Fórmula 1 foi mais um exercício de resistência e excelência para Fernando Alonso. Aos 44 anos, na 22ª temporada na categoria, o espanhol voltou a ser o principal pilar da Aston Martin, carregando a equipe nas costas em um ano de desempenho limitado do carro e comprovando, corrida após corrida, que ainda tem combustível de sobra para competir no mais alto nível do automobilismo.
O décimo lugar no Mundial de Pilotos, com 56 pontos, pode parecer modesto à primeira vista, mas ganha outra dimensão quando comparado ao desempenho interno da equipe. Lance Stroll terminou somente em 16º, com 33 tentos, e, mais uma vez, foi superado por Alonso no campeonato — roteiro que se repete desde 2023, quando passaram a dividir garagem. Em três temporadas como companheiros, o canadense nunca terminou à frente do bicampeão mundial.
O contraste ficou ainda mais evidente quando se observa a média de pontos por corrida. Alonso marcou 2,33 pontos por GP, enquanto Stroll ficou em 1,43, ajudando a Aston Martin a fechar o Mundial de Construtores apenas em sétimo lugar, com 89 pontos, em um pelotão intermediário cada vez mais comprimido. Em um carro que raramente brigou por algo além do top-10, o espanhol foi quem extraiu praticamente tudo o que o pacote permitiu.
Mesmo enfrentando um ano irregular, Alonso construiu uma temporada marcada pela consistência relativa e por desempenhos acima do esperado em pistas específicas. O melhor resultado veio com o quinto lugar na Hungria, mas houve outras atuações sólidas, como os sétimos lugares no Canadá, Áustria, Singapura e Catar, além do sexto posto no encerramento do campeonato, em Abu Dhabi. Em contrapartida, os abandonos evidenciaram os limites do equipamento — foram cinco ao longo do ano, quatro por problemas mecânicos.

Se nas corridas o espanhol já se destacava, nos sábados a superioridade foi simplesmente esmagadora: Alonso levou a melhor sobre Stroll em todas as 24 etapas. A melhor posição de largada do bicampeão foi um quinto lugar, contra um sexto do companheiro, mas o dado mais revelador está na média: Alonso largou, em média, na décima posição, enquanto Stroll partiu apenas da 15ª, um abismo que frequentemente condicionava o domingo da equipe. Até mesmo incluindo sprints, a única vez que o canadense largou à frente foi na China.
Esse domínio absoluto reforça uma realidade que acompanha Alonso há anos: mesmo longe dos melhores resultados da carreira, segue entregando performance de elite. O espanhol não conquista um título desde 2006 e não vence uma corrida desde 2013, mas continua empilhando números históricos. É o piloto com mais corridas disputadas na história da F1 (425), o sétimo com mais vitórias (32), 15º em poles (22), sexto em pódios (106) e recordista absoluto em número de temporadas. Ainda assim, o mais impressionante talvez seja algo intangível: a capacidade de continuar competitivo em um grid repleto de pilotos mais jovens e famintos.
Desde que chegou à Aston Martin, em 2023, Alonso assumiu um papel que vai além do cockpit. Tornou-se referência técnica, líder esportivo e termômetro real do potencial do carro. Em 2025, isso ficou ainda mais claro. Praticamente sempre que as corridas ofereceram alguma brecha, era o espanhol quem aparecia no top-10, maximizava estratégias, compensava limitações técnicas com leitura de corrida e precisão cirúrgicas.
Alonso já deixou claro que 2026 pode ser o ponto final da carreira, desde que a Aston Martin lhe entregue um carro verdadeiramente competitivo. O desejo do bicampeão é simples e direto: encerrar a trajetória lutando na frente, não apenas cumprindo tabela. A chegada do novo regulamento, aliada ao investimento pesado da equipe de Silverstone, à chegada de Adrian Newey e da Honda como fornecedora de motores, mantém viva a chama de que ainda há um último capítulo relevante a ser escrito.

Enquanto esse futuro não chega, 2025 serviu como mais uma prova de que Fernando Alonso segue sendo diferente. Em um esporte que mede sucesso quase exclusivamente por vitórias e títulos, o espanhol continua desafiando o tempo e os números frios. Aos 44 anos, ele talvez não esteja mais brigando por títulos, mas segue fazendo algo igualmente raro na Fórmula 1: ser decisivo mesmo quando o carro não é.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2026.
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